terça-feira, 30 de junho de 2015

Toda a alegria do mundo brota do desejo de que os outros sejam felizes

e todo o sofrimento deste mundo vem de desejar apenas a própria felicidade.

(Shantideva)


quarta-feira, 24 de junho de 2015

Quem ama sente ciúmes, muito ou pouco não importa, mas sente sim.
Quem deixou de amar já não se importa e deixa o outro totalmente à vontade, para que ele próprio possa estar também assim.
Quem ama, uma vez por outra, dá uma patrulhada no território e delimita as suas fronteiras.
Quem deixou de amar já não fiscaliza, é frio, controlado e jamais perde as estribeiras.
Quem ama sempre acha tempo e encontra um jeito para estar com seu amor.
Quem deixou de amar vai postergando sem pressa, deixando que o vento sopre a seu favor.
Quem ama faz perguntas pessoais e usa muito o pronome "nós".
Quem deixou de amar conversa banalidades e esquece o significado do advérbio "a sós ".
Quem ama quer saber da vida do outro com detalhes e transparência.
Quem deixou de amar se esquiva e não cobra do outro mais nada, nem ao menos coerência.
Quem ama é pródigo em e-mails, telefonemas e com muito carinho dá um jeitinho de marcar a sua presença.
Quem deixou de amar é pródigo em desculpas e pretextos com os quais passa um verniz para disfarçar a indiferença.
Quem ama é naturalmente fiel e está sempre voltado às necessidades do outro.
Quem deixou de amar só é fiel a si próprio, ao seu bem estar e já não percebe os danos que causa, seja querendo ou sem querer.

terça-feira, 9 de junho de 2015

sábado, 14 de março de 2015

Ainda te vejo ...

Vi-o feliz, alegre, realizado. Tinhas terminado a faculdade, tinhas emprego e … uma namorada. Entravas e saías de casa sempre bem disposto, sempre com expectativas, com um sentido, uma direcção, como quem percorre uma estrada com a certeza de que esse é o caminho certo. As compras, as roupas ao gosto dela, cores alegres que condiziam com o teu estado de espírito.
Ouvi passos na escada. Entreabri a porta e vi-a subir atrás ti, de cabelos longos e encaracolados.
A televisão transmitia a missa dominical. Apressadamente desceste as escadas até à sala: Mãe, queres ver? Olha!.. é ela ... ali a cantar … E vi que tinha também uns olhos pretos que irradiavam, mais do que os cabelos compridos e encaracolados, numa beleza singela, feminina, um rosto meigo.
E lembro-me daquele dia que entraste com ela em casa, e a deste a conhecer, e dos dias em que ficava no carro enquanto tu subias a correr as escadas e voltavas a sair, sem dizer nada ... Não precisavas, era transparente a tua felicidade. Nunca te vi tão animado, tão alegre; nunca vi tanto sorriso nos teus lábios, nunca foi tão fácil a comunicação entre nós. Um dia bem cedo, ainda antes de sair para o trabalho, te cruzaste comigo à saída do quarto - quando me deste um beijo de bom dia(!) - me perguntou: - Mãe, sabes há quanto tempo eu namoro com a (...)? - Não sei, um ano – disse eu - talvez (?) - Faz hoje um ano – respondeste, enquanto eu via nos teus olhos uma expressão de felicidade, que apenas tinhas quando eras ainda um garotinho.
  Ainda me lembro dessa data (e eu sou boa nessas coisas) apesar de já ter sido há cinco anos atrás. Foste sempre tão cumpridor, das suas obrigações como filho, dos horários de sair para a escola,  de ir à catequese, aos escuteiros, de sair para a faculdade ...
Talvez tenha eu exagerado na forma como te eduquei. Reconheço que sempre fui um tanto rígida, talvez mais do que necessário. Reconheço isso, mas foi também devido à forma como eu própria fui educada; e se há uma coisa em que somos iguais é que não é preciso dizerem-nos a mesma coisa duas vezes (aprendemos à primeira).
 As mensagens no telemóvel: - “Mãe, não vou jantar, estou com a ....” e a mesma resposta quando estavas atrasado e eu te perguntava “não vens jantar?”  ... "Desculpa mãe, esqueci-me de te avisar, vou jantar com a (...).”
 Poucas vezes estivemos todos juntos, mas da última vez ela estava distante. E à noite, enquanto tu, no meio da multidão, brincavas - tal como nós sempre fazíamos - com um jeito ainda de criança... e ela distante.
 Algum tempo depois, soube que já não andavam juntos. E eu fiquei triste quando lhe perguntei o que se tinha passado e ele me disse: “nada, mãe, a (...) diz que não anda muito bem, que era melhor assim, cada um seguir o seu caminho”. Pela maneira como falaste, vi que acreditavas que aquela seria uma situação passageira … Não foi e aquele amor ainda vive ti.

quinta-feira, 12 de março de 2015

JANELAS

"Flores ao vento na cortina da janela, cores de primavera."

Quando abro a cada manhã a janela do meu quarto, 
é como se abrisse o mesmo livro numa página nova...~
Mario Quintana

 
Aquele que mantém a calma diante de todas as adversidades da vida,
 mostra simplesmente ter conhecimento de quão imensos e múltiplos são os seus possíveis males, 
motivo pelo qual ele considera o mal presente uma parte muito pequena daquilo que lhe poderia advir. 
E, inversamente, quem sabe desse fato e reflecte sobre ele nunca perderá a calma. 

Arthur Schopenhauer



O importante de você ter uma atitude positiva diante da vida,
 ter o desejo de mostrar o que tem de melhor, 
é que isso produz maravilhosos efeitos colaterais.


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015


"Não basta abrir a janela 
para ver os campos e o rio. 
Não é bastante não ser cego 
para ver as árvores e as flores. 
É preciso também não ter filosofia nenhuma. 
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
e um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
que nunca é o que se vê quando se abre a janela.~"